Sala de estar preparada com home staging em Lisboa, neutra e acolhedora

Home staging ou decoração de interiores: qual é a diferença?

Em 2011, estava eu numa conferência nos Estados Unidos quando uma senhora se apresentou como “home stager”. Eu, que já era decoradora e tinha a minha empresa desde 2008, não percebi nada. O que devia ter sido uma conversa rápida de networking transformou-se em duas horas, com ela a mostrar-me fotografias de antes e depois.

Lembro-me perfeitamente do que lhe disse: “Eu sou decoradora, isto também consigo fazer facilmente.”

Ela olhou para mim e respondeu: “Não consegue.”

Fiquei baralhada. Como assim, não consigo? Mas ela explicou-me que aquilo que eu faria seria decoração, e que o home staging assenta noutra lógica: marketing, apresentação, perceber o que se passa na cabeça de quem está do outro lado. Na altura não percebi bem. Hoje, depois de tantos anos a fazer as duas coisas, percebo-a melhor do que ninguém.

Os mesmos materiais, intenções completamente diferentes

Esta é a parte que confunde toda a gente. O home staging e a decoração usam muitas vezes as mesmas coisas: sofás, almofadas, tapetes, candeeiros, quadros. Por isso parecem a mesma profissão. Não são.

A diferença está na intenção:

  • Decoração de interiores é criar um espaço para ser vivido. Sento-me com a pessoa, percebo o que gosta, como vive, o que quer sentir em casa, e desenho um projeto que junta o gosto dela com o meu.
  • Home staging é preparar um imóvel para ser vendido (ou arrendado). Aqui, o gosto que conta não é o do proprietário, nem o meu. É o gosto de quem vai visitar a casa.

Costumo dizer que, no home staging, não pergunto “o que fica mais bonito?”. Pergunto “o que vai fazer este imóvel vender?”. Há projetos de home staging que eu nunca faria como decoradora, mas que cumprem na perfeição o que se pede: fazer com que quem visita sinta que aquela casa foi pensada para si.

Quem paga não é quem decide

Há outro pormenor que muda tudo. Na decoração, o cliente é quem vai viver no espaço. Quando acaba o trabalho, a casa é dele e tem de ser a cara dele.

No home staging, quem me contrata é o proprietário, o consultor imobiliário ou o promotor. Mas quem vai decidir se o projeto funciona é uma terceira pessoa, que nem conheço ainda: o comprador. O comprador é, no fundo, cliente do meu cliente.

Por isso é que, muitas vezes, o proprietário diz “eu não gosto desta almofada” ou “eu punha antes outra cor”, e eu tenho de explicar com carinho que a casa já não é para ele. É para a pessoa que vai entrar pela porta dentro daqui a uma semana e que precisa de se imaginar ali.

E o dinheiro?

Outra confusão frequente: muita gente acha que home staging é caro. Não é, e a razão é simples.

Na decoração, normalmente escolhem-se peças pensadas para durar e para marcar a personalidade da casa, o que tende a sair mais caro. No home staging escolhem-se peças acessíveis, neutras, que cumprem o seu papel durante o tempo da venda. E numa casa ocupada, grande parte do trabalho faz-se com o que já lá está: reorganizar, retirar excessos, juntar umas almofadas, uns limões na cozinha, uma planta.

Há uma frase da Barb Schwarz, a criadora do conceito, que eu repito muito: investir em home staging custa normalmente bem menos do que a redução de preço que acabamos por fazer quando a casa não vende. É por aí que tem de olhar para o investimento.

Em resumo

Home stagingDecoração de interiores
ObjetivoVender ou arrendarViver bem no espaço
Pensado paraO comprador (que ainda não conheço)Quem vai habitar a casa
Gosto que contaO do mercado-alvoO do cliente, em conjunto com o meu
Tipo de investimentoBaixo, peças acessíveis e reaproveitamentoMais elevado, peças para durar
Resultado esperadoMais visitas e venda mais rápidaUma casa que reflete quem lá vive

E o alojamento local?

Uma pergunta que me fazem muito. Num alojamento local não se deve decorar como se fosse a casa de alguém, porque a decoração é personalizada para um cliente em particular. Um alojamento local tem de agradar à generalidade dos hóspedes, e isso é home staging.

Mas um decorador ou arquiteto não faz home staging?

Pode aprender, claro. Mas costumo dizer a quem vem do design ou da arquitetura que tem de começar por tirar o chapéu de decorador. É uma ferramenta diferente, com outro objetivo e outro tipo de decisões. Não é melhor nem pior. É outra coisa. E quando alguém lhe diz “a minha decoradora faz-me o home staging”, vale a pena perguntar como é que ela pensa o projeto: para quem o está a desenhar, e com que objetivo?

Como escolher

  • Vai vender ou arrendar? Home staging. O objetivo é que o comprador se imagine na casa e decida mais depressa.
  • Vai continuar a viver na casa e quer que funcione melhor? Decoração de interiores. O objetivo é que o espaço seja seu.
  • Tem um alojamento local ou um andar-modelo? Home staging, porque o público é geral.

Se tem dúvidas sobre qual dos dois faz sentido no seu caso, conte-me o que pretende. Às vezes a resposta está num meio-termo, e é muito mais simples do que parece.

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Para ver o que cada serviço inclui, visite a página de Serviços. Se está a pensar em vender, leia também quanto custa o home staging e o home staging ajuda mesmo a vender a casa mais depressa?

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