Devo preparar a minha casa antes de vender?
Esta pergunta chega-me quase sempre travestida de outra: “Será que no meu caso vale mesmo a pena?” E a resposta curta é: quase sempre, sim. A resposta mais honesta é: depende do quanto, não do se. Eu vou ajudar a tomar a melhor decisão para o seu caso.
O erro mais comum é pensar no home staging como uma coisa de “sim ou não”. Na prática, a decisão certa não é binária — é perceber que tipo de preparação a sua situação específica pede. E isso muda muito consoante um fator simples: alguém ainda vive na casa, ou está vazia?
Se ainda vive na sua casa
Este é o cenário mais frequente, e também o mais delicado — porque não se trata de gastar muito dinheiro, trata-se de olhar para a sua própria casa com outros olhos. Os seus retratos de família na estante, a sua coleção de livros, os tapetes que escolheu ao longo de anos — tudo isso conta a sua história, e é pois, por contar a sua história que pode estar a impedir alguém de imaginar a história deles ali.
Quando um casal visita uma casa cheia de vida alheia, tende a sentir-se um pouco intruso — como quem entra numa festa para a qual não foi convidado. O trabalho, neste caso, é sobretudo retirar o excesso: fotografias pessoais, coleções muito específicas, mobília a mais numa divisão já cheia. Não é esvaziar a casa de personalidade — é abrir espaço suficiente para que outra pessoa caiba ali, mentalmente, quando a visita.
Se a casa está vazia
Este é, na verdade, o cenário psicologicamente mais difícil, ainda que pareça o mais simples de preparar. Apenas cerca de 10% das pessoas conseguem entrar num espaço vazio e imaginar, sem ajuda nenhuma, o que fariam com ele. Os restantes 90% olham à volta e só conseguem dizer “é grande” ou “é pequeno” — e pouco mais. Contudo, não é falta de imaginação, é apenas como a maioria de nós funciona: precisamos de ver a ideia representada para a conseguirmos comprar.
É por isso que uma casa vazia, sem preparação, está a falar apenas com um décimo dos potenciais compradores. Os outros nove décimos passam à frente sem sequer perceberem o potencial que ali está.
Se é um imóvel de investimento ou arrendamento
Aqui a lógica muda outra vez. Não está a vender uma casa para alguém viver lá para sempre — está a criar um cenário que funcione para qualquer pessoa que ali passe uma semana, um mês ou um ano. A abordagem tem de pensar em necessidades universais e simples: um sofá confortável, uma mesa onde se coma, uma cama onde se durma bem. Menos personalização, mais funcionalidade que agrade a toda a gente.
Um pequeno teste antes de decidir
Antes de decidir se avança, ou com que intensidade, pergunte-se com sinceridade:
- Se um casal de estranhos entrasse agora na minha casa, sentir-se-ia a visitar uma casa à venda, ou a invadir a vida de outra pessoa?
- A casa está vazia? Se sim, tenha em conta que só uma pequena parte de quem a visitar vai conseguir imaginar o potencial sozinha.
- O nível de preparação que estou a considerar corresponde ao que um comprador nesta faixa de preço espera encontrar? Nem a menos, nem a mais.
A decisão certa
Na grande maioria dos casos, alguma preparação ajuda — a questão nunca é realmente “faço ou não faço”, é “o que é que esta casa, especificamente, precisa”. E essa resposta só se dá bem depois de ver o espaço com olhos treinados para o que um comprador vai sentir, não para o que um dono está habituado a ver todos os dias.
Se quiser uma opinião honesta sobre o seu caso — sem compromisso de fazer seja o que for a mais do que é preciso — fale comigo. Prefiro dizer-lhe que não precisa de nada, ou a aconselhar somente algumas alterações, a vender-lhe um serviço que a sua casa não pede.
